O Relatório da OMS sobre Nutrição em África destaca um aumento da malnutrição no continente.

Falhas cruciais nos dados são também uma preocupação.

Abidjan, 16 de Novembro de 2017 – Um relatório sobre nutrição recentemente divulgado pelo Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África revelou que a subnutrição ainda persiste na região e que o número de crianças com raquitismo aumentou. O Relatório sobre Nutrição em África, divulgado hoje em Abidjan, em Côte d’Ivoire, também indica que um número crescente de crianças com menos de cinco anos tem excesso de peso. O Relatório descreve o estado actual relativamente a seis metas mundiais de nutrição que os Estados-Membros se comprometeram a alcançar até 2025 e salienta as descobertas do Relatório sobre a Nutrição Mundial recentemente divulgado.

As metas da nutrição pedem uma redução de 40 por cento no número de crianças com menos de cinco anos com raquitismo, uma redução de 50 por cento na anemia em mulheres em idade reprodutiva, uma redução de 30 por cento de baixo peso à nascença, nenhum aumento no excesso de peso infantil, um aumento da taxa de amamentação exclusiva até pelo menos 50 por cento e uma redução da emaciação para menos de 5 por cento.

O Relatório, o primeiro feito pela OMS na Região Africana, utiliza dados de inquéritos nacionais realizados por quarenta e sete países, datando até ao ano 2000, assim como estimativas conjuntas sobre a malnutrição publicadas anualmente pela UNICEF, pela OMS e pelo Banco Mundial. Faz soar o alarme relativamente a falhas cruciais nos dados de nutrição disponíveis nos países. Em 19 dos 47 países os dados de nutrição “actuais” reflectem a situação em 2012 ou até antes. Em dois países os inquéritos mais recentes foram feitos antes do ano 2000.    

De acordo com a Directora Regional da OMS para a África, a Dr.ª Matshidiso Moeti, “Os números e tendências realçados no relatório mostram que temos de trabalhar mais para evitarmos as consequências de longa duração da malnutrição e fraca saúde na prosperidade futura das nossas crianças, incluindo o risco acrescido de doenças não transmissíveis relacionadas com dietas, como diabetes e hipertensão”. Acrescentou que o Relatório salienta a necessidade de mais trabalho na recolha e utilização de dados precisos, uma vez que a informação disponível na maior parte dos países sobre a nutrição tem mais de cinco anos e a utilização de dados de rotina para a monitorização da nutrição é extremamente limitada.  

O Relatório destaca que embora a prevalência do raquitismo tenha decrescido entre 2000 e 2016, os números absolutos de crianças afectadas estão na realidade a aumentar: de 50,4 milhões em 2000 para 58,5 milhões em 2016. O raquitismo, ou o crescimento e desenvolvimento deficientes, acontece quando as crianças experienciam uma má nutrição, doenças e falta de estimulação psicossocial. Acontece normalmente antes da criança chegar aos dois anos e as consequências a longo prazo incluem um mau desempenho escolar, baixos salários em idade adulta, perda de produtividade e risco aumentado de doenças crónicas relacionadas com a nutrição em adultos.

A autora principal do Relatório, a Dr.ª Adelheid Onyango, Conselheira da OMS para a Nutrição em África, diz que embora as taxas de excesso de peso nas crianças possam ainda estar baixas, a percentagem e os números estão a aumentar em todas as faixas etárias. Entre os adultos, por exemplo, o excesso de peso, incluindo a obesidade, afecta cerca de uma em cada três mulheres, com taxas superiores a 40 por cento no Gabão, no Gana e no Lesoto.

De acordo com a Dr.ª Felicitas Zawaira, Directora do Grupo Orgânico sobre Saúde Familiar e Reprodutiva da OMS-AFRO, a malnutrição, para além dos seus impactos físicos e de desenvolvimento óbvios, também prejudica o crescimento económico: em todo o mundo, entre 3 e 16 por cento do PIB é perdido anualmente devido apenas ao raquitismo. 

A emaciação, ou baixo peso comparado com a altura da criança, é um forte indicador de mortalidade entre crianças com menos de cinco anos. O Relatório revela que muitos países na Região Africana ainda possuem taxas de emaciação acima da meta de 5 por cento ou menos e a fome persistente, as inundações e as crises civis em alguns países representam desafios constantes à consecução da meta. Apenas 17 países possuem os chamados níveis “aceitáveis” de emaciação, abaixo dos 5 por cento, enquanto 19 possuem uma baixa prevalência (5 a 9 por cento). Seis países possuem taxas entre os 10 e os 14 por cento, representando uma emergência de saúde pública séria e três países excedem o limiar de emergência de saúde pública grave de 15 por cento (Eritreia, 15,3 por cento; Níger, 18,7 por cento e Sudão do Sul, 22,7 por cento).

As estimativas conjuntas da UNICEF, da OMS e do Banco Mundial mostram que o número de crianças com excesso de peso em África aumentou em mais de 50 por cento entre 2000 e 2015. O Relatório descobriu que 24 países possuem taxas entre os 3 e os 10 por cento. Acima deste intervalo encontra-se a Argélia (12,4 por cento), o Botsuana (11,2 por cento), as Comores (10,9 por cento), as Seychelles (10,2 por cento) e a África do Sul (10,9 por cento). 

“Os governos africanos podem, e devem, tomar medidas para prevenir e reduzir a subnutrição através da criação de ambientes favoráveis para melhorar a alimentação dos bebés e das crianças jovens, melhorar os abastecimentos de água e o saneamento e oferecer alimentos mais saudáveis nas escolas, entre outras medidas”, diz o Dr. Francesco Branca, Director do Departamento de Nutrição na Sede da OMS, em Genebra. O Dr. Branca realçou a necessidade de reduzir o consumo de hidratos de carbono refinados e de alimentos com açúcares e gorduras elevados, algo que pode ser alcançado ao tornar as bebidas açucaradas mais dispendiosas e menos apelativas através de impostos, rótulos e da mudança de práticas de mercado.
                                                                  
Contactos: 
Maureen Nkandu
Administradora das Comunicações Regionais 
Escritório Regional da OMS para a África 
Tel: +47 24139982
E-mail: nkandum [at] who.int
 

Nota para editores:
Para mais informações sobre o Relatório, clicar na seguinte ligação aqui.

 

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