Mensagem da Dr.ª Matshidiso Moeti, Directora Regional da OMS para a África, por ocasião do Dia Mundial da Diabetes 2017

Hoje, 14 de Novembro, o Escritório Regional para a África da Organização Mundial da Saúde, junta-se à comunidade internacional na comemoração do Dia Mundial da Diabetes 2017, subordinado ao tema “A mulher e a diabetes - o nosso direito a um futuro mais saudável”. Este tema sublinha a importância do papel das mulheres na prevenção ou na gestão dos factores de risco da diabetes e no acesso aos cuidados.

A diabetes é uma doença crónica caracterizada por níveis elevados de açúcar no sangue (hiperglicemia), que podem dever-se a uma produção inadequada de insulina pelo pâncreas (diabetes tipo 1) ou à incapacidade do corpo em usar eficazmente a insulina que produz (diabetes tipo 2). Durante a gravidez, pode ocorrer um aumento temporário do açúcar no sangue, o que acarreta um risco a longo prazo de se desenvolver diabetes tipo 2.

A prevalência da diabetes na população adulta da Região Africana aumentou de 3,1% em 1980 para 7% em 2014. Estima-se que a hiperglicemia provoque 5% das mortes nas mulheres e 3,9% nos homens. O excesso de peso e a obesidade são factores de risco da diabetes, das doenças cardiovasculares e de alguns tipos de cancro numa fase mais tardia da vida. A prevalência dos factores de risco da diabetes e de outras doenças não transmissíveis é mais elevada nas mulheres do que nos homens. Em 2014, estimou-se que 38,6% das mulheres acima dos 18 anos de idade tinham excesso de peso por comparação com 22,9% dos homens. A prevalência da inactividade física nas mulheres com mais de 18 anos de idade era de 25%, em comparação com 19% nos homens.  

A nível mundial, tem ocorrido um aumento drástico da obesidade nas crianças e nos adolescentes entre os 5 e os 19 anos de idade, passando de 11 milhões em 1975 para os 124 milhões em 2016. Estima-se agora que uma em cada cinco crianças ou adolescentes tenha excesso de peso ou sofra de obesidade. Em África, o número de crianças que tem excesso ou é obesa praticamente duplicou desde 1990, aumentando de 5,4 milhões para 10,3 milhões. Existe uma grande probabilidade de as crianças com excesso de peso e obesas virem a tornar-se adultos com excesso de peso ou obesos. As crianças e os adolescentes com excesso de peso ou obesos também sofrem problemas psicossociais, tais como o bullying e a estigmatização, que podem contribuir para o insucesso escolar.

A prevalência crescente da obesidade e do excesso de peso deve-se uma combinação de factores como: uma alimentação desequilibrada, resultante, sobretudo, da comercialização agressiva de alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal; o facto de os alimentos saudáveis e nutritivos serem relativamente incomportáveis para as famílias e as comunidades pobres; e a actividade física inadequada para as crianças, os adolescentes e os adultos.  

Para se reduzir a prevalência da diabetes tipo 2 é preciso uma abordagem ao longo da vida, a começar na primeira infância e prosseguindo pela adolescência e a idade adulta. Os alimentos saudáveis e nutritivos devem estar disponíveis em casa e nas escolas, sobretudo para as famílias e as comunidades pobres. As crianças e os adolescentes deverão ser apoiados e incentivados a praticar uma actividade física em casa e na escola, para garantir que se tornam adultos saudáveis. O excesso de peso ganho durante a gravidez aumenta o risco da diabetes. A hiperglicemia durante a gravidez aumenta o risco de obesidade no futuro e da diabetes tipo 2, assim como de complicações durante a gravidez, o trabalho de parto e o nascimento, incluindo a ocorrência de nado-morto. 

Será aconselhável que os governos empreguem medidas corajosas para garantir que as mulheres e as meninas têm acesso a serviços de rastreio da diabetes e a cuidados adequados, incluindo medicação e informação acerca da doença, e deve-se incentivar o uso de telemóveis para prestar esta informação útil sobre a diabetes. Para além disso, devem ser promovidas políticas que aumentem a disponibilidade de alimentos saudáveis e nutritivos, como fruta e legumes. Deverão ser tomadas medidas fiscais para aumentar o preço dos alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal, de modo a reduzir o seu consumo. Dever-se-á promover a actividade física em todos os contextos, incluindo em casa, na escola, nas vias para peões, ruas e estradas das cidades, e ainda no local de trabalho. A OMS continuará a apoiar os esforços envidados pelos governos para aumentar a prevenção e a luta contra a diabetes e outras doenças não transmissíveis.

Muito obrigado.

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