Relatório Anual de OMS Angola 2025
Em 2025, Angola enfrentou desafios sanitários significativos, incluindo surtos de cólera, poliomielite e sarampo, num contexto marcado por vulnerabilidades estruturais e elevada pressão sobre o sistema de saúde. Em paralelo, registaram-se progressos relevantes que reforçam a trajectória do país rumo à Cobertura Universal de Saúde, com o apoio técnico contínuo da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A resposta às emergências de saúde pública foi um dos pilares do ano. Mais de três milhões de doses da vacina oral contra a cólera foram administradas, contribuindo para a redução da taxa de letalidade para 2,4%, apoiada por uma forte mobilização comunitária que envolveu mais de 1 175 líderes religiosos e comunitários. No domínio da poliomielite, 6,8 milhões de crianças foram vacinadas, alcançando coberturas superiores a 95%. Em paralelo, a operacionalização do Centro Nacional de Operações de Emergência em Saúde Pública e de seis centros regionais reforçou a capacidade de resposta rápida e coordenada.
Na área da saúde materna e infantil, observaram-se avanços mensuráveis, com a redução da mortalidade neonatal de 24 para 16 por mil nados-vivos e da mortalidade materna de 239 para 170 por 100 mil nados-vivos. Estes resultados reflectem investimentos nos cuidados pré-natais, na assistência qualificada ao parto, na actualização de protocolos e na capacitação dos profissionais, bem como iniciativas inclusivas, como a introdução do Caderno de Saúde Materno-Infantil em braille.
A vacinação contra o HPV constituiu um marco histórico, protegendo 1,26 milhão de raparigas contra o cancro do colo do útero e posicionando Angola como referência regional na implementação da Estratégia Global de Eliminação desta doença. Em paralelo, no domínio das doenças tropicais negligenciadas, Angola manteve-se sem casos humanos de dracunculose há quase seis anos, sustentando os progressos através de vigilância activa, acesso à água potável e mobilização comunitária.
Persistem, contudo, desafios relevantes. A malária continua a ser a principal causa de morbilidade e mortalidade em Angola, representando uma pressão constante sobre o sistema de saúde, em particular nas populações mais vulneráveis. A tuberculose mantém igualmente uma carga elevada, exigindo maior aceleração do diagnóstico, cuidados centrados no doente e uma integração mais efectiva nos cuidados de saúde primários. As doenças crónicas não transmissíveis assumem também um peso crescente, tendo a OMS apoiado a actualização de normas clínicas e a elaboração de planos estratégicos nas áreas da saúde mental, do álcool, do tabaco e de outras drogas, com enfoque na prevenção e na integração dos serviços.
No plano institucional, a OMS apoiou o fortalecimento da regulação de medicamentos e tecnologias de saúde, com vista ao alcance do nível 3 de maturidade regulatória até 2027, e iniciou a actualização das Contas Nacionais de Saúde 2020–2023, reforçando o planeamento baseado em evidência. A comunicação estratégica desempenhou igualmente um papel central, com campanhas digitais de grande alcance e a criação de plataformas que reforçaram a literacia em saúde e a confiança pública.
Apesar dos progressos, Angola continua a enfrentar desafios estruturais, incluindo mortalidade materna e infantil ainda elevada, lacunas na cobertura vacinal, em particular entre crianças zero-dose, insegurança alimentar e elevada exposição a emergências sanitárias. Enfrentar estes desafios exige acção contínua, inovação e investimentos sustentáveis.
Sob o lema do Dia Mundial da Saúde, “Começos Saudáveis, Futuros Esperançosos”, a OMS reafirma o seu compromisso de apoiar Angola para garantir que todas as crianças, mulheres e famílias tenham acesso a cuidados de saúde de qualidade desde o início da vida, acelerando o progresso rumo à Cobertura Universal de Saúde e aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.