Missão conjunta promove a implementação de novos protocolos para doenças não transmissíveis, o desenvolvimento de uma Rede Integrada de Serviços de Saúde e o fortalecimento da gestão e da qualidade dos cuidados na Região Autónoma do Príncipe
A Região Autónoma do Príncipe acolheu, de 29 de junho a 3 de julho, uma missão conjunta do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), destinada a reforçar os Cuidados de Saúde Primários, melhorar a resposta às doenças não transmissíveis e apoiar o desenvolvimento de uma visão estratégica para a organização dos serviços de saúde da ilha. A iniciativa integra os esforços nacionais para fortalecer o sistema de saúde e promover cuidados mais integrados, acessíveis e centrados nas necessidades da população.
A missão contou com a participação da Diretora dos Cuidados de Saúde, Dra. Isaulina Barreto, da Coordenadora do Programa Nacional das Doenças Não Transmissíveis, Dra. Miryan Cassandra, do Chefe da Equipa de Reforço dos Sistemas de Saúde da OMS, Dr. Evgeny Zheleznyakov, da Consultora da OMS para o Reforço dos Sistemas de Saúde, Dra. Sara Pereira, e da Oficial de Comunicação da OMS, Edlena Barros. As atividades foram desenvolvidas em estreita colaboração com a Delegação Regional de Saúde e os profissionais de saúde da Região Autónoma do Príncipe.
Durante a semana, a equipa visitou o Hospital Regional Dr. Manuel Quaresma Dias da Graça e os postos de saúde da região para acompanhar a implementação do Plano de Ação Distrital, avaliar o funcionamento dos serviços e identificar oportunidades para melhorar a qualidade dos cuidados prestados à população. A missão permitiu igualmente recolher contributos para a elaboração da futura Rede Integrada de Serviços de Saúde da Região Autónoma do Príncipe, um documento estratégico que definirá prioridades de investimento, mecanismos de coordenação e formas de integração entre os diferentes níveis de cuidados.
A missão incluiu a entrega oficial dos novos protocolos nacionais para a prevenção, diagnóstico e tratamento da hipertensão arterial, diabetes mellitus, doenças respiratórias crónicas e diagnóstico precoce do cancro. Os protocolos foram distribuídos a todas as unidades sanitárias da região e acompanhados por sessões de revisão técnica com médicos e enfermeiros, com o objetivo de harmonizar as práticas clínicas e assegurar uma resposta mais uniforme às doenças não transmissíveis.
Para a Delegada Regional de Saúde, Dra. Suanilda Carvalho, os novos instrumentos constituem um importante avanço para a prestação de cuidados na região. “Todos os médicos sabem tratar as doenças crónicas, mas não existia um protocolo que permitisse que todos falassem a mesma língua. Com estes protocolos novos que foram feitos agora, todos podem fazer o mesmo tratamento para pacientes que têm as mesmas enfermidades e até mesmo fazer o diagnóstico de forma mais rápida.”
Além dos protocolos, as unidades de saúde receberam testes rápidos para doseamento da hemoglobina glicada (HbA1c), reforçando a capacidade de diagnóstico, monitorização e acompanhamento das pessoas com diabetes.
Outro destaque da missão foi o teste piloto de uma nova ferramenta de supervisão integrada, desenvolvida para apoiar a gestão dos distritos de saúde e o acompanhamento da implementação dos planos de ação. A ferramenta foi testada em unidades de saúde da região e permitirá monitorizar indicadores, identificar desafios, apoiar a tomada de decisões baseada em evidências e orientar o planeamento e a implementação de ações de melhoria contínua da qualidade dos serviços de saúde.
A Diretora dos Cuidados de Saúde, Dra. Isaulina Barreto, destacou o envolvimento das equipas locais ao longo da missão. “Foi um trabalho muito produtivo, com muito engajamento dos profissionais. Conseguimos cumprir toda a agenda e implementar a supervisão com uma nova ferramenta. No final, verificámos que os profissionais conseguiram absorver aquilo que pretendíamos transmitir e compreender como estas ferramentas podem ajudá-los a resolver problemas do dia a dia".
A nova abordagem foi bem acolhida pelos profissionais de saúde. Para a enfermeira Edite dos Prazeres, responsável pelo Posto de Saúde de Nova Estrela, a supervisão trouxe instrumentos práticos para melhorar a prestação dos cuidados. “É uma supervisão interativa entre supervisores e enfermeiros, com apoio e ajuda para melhorar o nosso serviço para o bem-estar da população. Um dos pontos mais importantes foi o novo algoritmo para seguimento e tratamento de algumas doenças, como a hipertensão, a diabetes e a crise asmática, permitindo-nos seguir o protocolo a nível nacional".
Eudelésio dos Santos, enfermeiro responsável pelo Posto de Saúde de Porto Real, disse que os novos protocolos contribuirão diretamente para melhorar a prática clínica. “Com estes protocolos já podemos seguir melhor as orientações e os parâmetros definidos para cada situação. Isso ajuda-nos a melhorar os tratamentos e a organizar melhor o nosso trabalho diário".
Para o Chefe da Equipa de Reforço dos Sistemas de Saúde da OMS, Dr. Evgeny Zheleznyakov, o fortalecimento da gestão dos serviços é essencial para melhorar os resultados em saúde. “Os recursos são limitados, mas o sistema de saúde tem a obrigação de prestar serviços de qualidade e acessíveis a todos. Este mecanismo de supervisão permite identificar os pontos críticos, planificar melhor o trabalho e encontrar soluções que contribuam para a melhoria da qualidade dos serviços e dos resultados em saúde".
A missão terminou com uma reunião de trabalho com a Secretária Regional para os Assuntos Sociais e Capital Humano, Fátima Cassandra, durante a qual foram apresentados os principais resultados alcançados e discutidos os próximos passos para o fortalecimento do sistema de saúde da Região Autónoma do Príncipe. Entre as ações previstas destacam-se o desenvolvimento do Plano de Ação Regional para 2027, a conclusão da proposta da Rede Integrada de Serviços de Saúde e a mobilização de parceiros para apoiar a implementação das prioridades identificadas.
A implementação dos novos protocolos nacionais para as doenças não transmissíveis e o teste da ferramenta de supervisão integrada representam marcos importantes no fortalecimento dos Cuidados de Saúde Primários na Região Autónoma do Príncipe. Estas intervenções contribuirão para melhorar a qualidade e a uniformização dos cuidados, reforçar as competências dos profissionais de saúde e apoiar uma resposta mais integrada, eficiente e centrada nas pessoas.