Angola acelera passos finais para erradicar a dracunculose até 2030
Após cinco anos consecutivos sem casos humanos e com progressos significativos no reforço da vigilância epidemiológica, na mobilização comunitária e na resposta às infecções animais, o país está a entrar numa fase decisiva rumo à meta global de erradicação da doença até 2030. Estes avanços representam um marco importante no controlo da doença.
Todavia, para que o país possa ser oficialmente certificado como livre de dracunculose, é necessário superar um desafio crucial: a persistência de infecções em animais. Embora não tenha sido registado nenhum caso humano desde 2020, Angola continua classificada como país endémico. Entre 2018 e 2024, foram confirmadas 137 infecções em animais, das quais 134 em cães. A nível mundial, em 2025, foram registados apenas 10 casos humanos, o número mais baixo de sempre, mas foram contabilizadas 683 infecções em animais, concentradas em seis países, dos quais Angola representou cerca de 10%. Este cenário reforça a urgência de intensificar as medidas recomendadas pela OMS.
Foi neste contexto que, entre 24 e 25 de Fevereiro, o Ministério da Saúde, com o apoio da OMS e do The Carter Center, realizou em Ondjiva a primeira reunião anual de Avaliação do Programa de erradicação da Dracunculose. O encontro reuniu autoridades nacionais, equipas provinciais e parceiros técnicos, a fim de consolidar os progressos alcançados, identificar boas práticas e lacunas operacionais e definir prioridades operacionais para 2026.
Durante a cerimónia de encerramento, a ministra da Saúde, Dra. Sílvia Lutucuta sublinhou a necessidade de manter o compromisso nacional: "A erradicação da dracunculose exige um esforço coordenado. A participação activa das autoridades tradicionais, líderes comunitários, administrações municipais e de todos os sectores é essencial para garantir que nenhum angolano volte a ser afectado por esta doença evitável”.
Os dados apresentados confirmam uma evolução epidemiológica positiva, resultado do reforço da vigilância e do envolvimento crescente das comunidades. O foco imediato do programa é conter as infecções animais, actualmente consideradas o principal desafio para a certificação da erradicação no país.
O Representante da OMS em Angola, Dr. Indrajit Hazarika, salientou que o país tem uma oportunidade única para alcançar o objectivo: "A erradicação da dracunculose é realista, viável e está ao nosso alcance. Os progressos alcançados reflectem a liderança do Governo, o empenho das comunidades e o apoio técnico contínuo da OMS e do The Carter Center. O desafio agora é transformar este compromisso político em acções sustentáveis até 2030”.
Ao longo dos dois dias de trabalho, foram analisados factores-chave do Programa Nacional de Erradicação da Dracunculose, nomeadamente a qualidade da vigilância activa, o desempenho das equipas locais, a investigação de casos suspeitos e a coordenação intersectorial. As equipas estabeleceram também prioridades operacionais para acelerar os resultados.
O vice-governador para a o sector político, social e económico da província do Cunene, Dr. Apolo Ndinolenga, destacou o papel das parcerias e da participação comunitária: "Nenhum país consegue erradicar uma doença sozinho. Com o apoio da OMS e do Carter Center, reforçámos a vigilância, formámos agentes comunitários, promovemos a educação sanitária e melhorámos o acesso à água potável. Os progressos são encorajadores, mas exigem vigilância contínua e a participação de todos".