Mensagem do Director Regional da OMS para a África, Dr. Mohamed Janabi
Hoje, no Dia Internacional da Mulher, a Organização Mundial da Saúde associa-se a governos, parceiros e comunidades em toda a Região Africana para reconhecer as contribuições das mulheres e das raparigas, e reafirmar o nosso compromisso com a promoção da sua saúde, direitos e bem-estar.
O tema escolhido para este ano é Direitos. Justiça. Acção. Para TODAS as Mulheres e Raparigas. Este tema lança um apelo a uma urgência e determinação renovadas para combater as desigualdades e garantir que todas as mulheres e raparigas tenham a oportunidade de viver uma vida saudável e digna.
As mulheres e as raparigas representam mais da metade da população africana, desempenhando papéis diversos e essenciais no funcionamento das famílias, das comunidades e dos sistemas de saúde. Elas representam quase 70% da força de trabalho na área da saúde ao nível mundial, prestando serviços essenciais em hospitais, clínicas e comunidades.
No entanto, o seu próprio acesso aos serviços de saúde, protecção e oportunidades continua desigual e, em muitos contextos, insuficiente.
A Região Africana comporta o fardo mais elevado de mortalidade materna em todo o mundo. Estima-se que 70% das mortes maternas ao nível mundial ocorram na África Subsariana, apesar de a maioria ser evitável através do acesso a cuidados pré-natais de qualidade, assistência qualificada nos partos e serviços de emergência oportunos. As lacunas no acesso a serviços essenciais de saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planeamento familiar, continuam a colocar mulheres e raparigas em risco desnecessário.
O outro desafio é que a violência contra as mulheres continua a ser generalizada. Uma em cada três mulheres sofre violência física ou sexual ao longo da vida, com consequências graves e duradouras para a saúde, a segurança e o bem-estar. Também continuam a persistir práticas prejudiciais. Em todo o mundo, mais de 200 milhões de mulheres e raparigas sofrem as consequências da mutilação genital feminina, a maioria delas em África. Essas práticas prejudicam a saúde, limitam oportunidades e violam os direitos humanos fundamentais.
As mulheres continuam sub-representadas em posições de liderança e de tomada de decisões. Em toda a África, as mulheres ocupam cerca de um quarto dos assentos parlamentares, o que limita sua influência na formulação de políticas que afectam a saúde, a equidade e o desenvolvimento.
Apesar desses desafios, estão a ser realizados progressos significativos. Os países da Região estão a alargar o acesso aos serviços de saúde materna e reprodutiva, reforçando os quadros jurídicos e de políticas, e investindo em sistemas de saúde mais inclusivos. As mulheres estão a contribuir como profissionais de saúde, cientistas, decisores políticos e líderes, auxiliando a dar forma a sistemas de saúde mais robustos e com maior capacidade de resposta.
A cobertura universal de saúde não pode ser alcançada a menos que os sistemas de saúde sejam concebidos para atender às necessidades das mulheres e das raparigas ao longo de toda a vida. Garantir o acesso a serviços de saúde essenciais, incluindo cuidados maternos, serviços de saúde sexual e reprodutiva e serviços para sobreviventes de violência de género, é fundamental para melhorar os resultados em saúde e reduzir as mortes evitáveis.
Promover a saúde e os direitos das mulheres e das raparigas é essencial para o futuro da África. Contribui directamente para famílias mais saudáveis, comunidades mais resilientes e sistemas de saúde mais robustos.
Neste Dia Internacional da Mulher, a OMS reafirma o seu compromisso de trabalhar com os Estados-Membros e parceiros para garantir que todas as mulheres e raparigas tenham acesso a serviços de saúde de qualidade, vivam livres da violência e gozem plenamente do seu direito à saúde.